Há semanas esse tópico me rodeia. Não só entre conversas, mas também, coincidentemente, em séries de TV e reportagens que chegaram até mim. Por ser algo tão complexo e controverso eu precisei, de fato, entrevistar pessoas e ler inúmeros artigos sobre o assunto. A começar por aí. Eu não tinha ideia que o assunto era tão abordado até cientificamente. De coluna no New York Times a blogs GLBTS e blogs religiosos todo mundo parece ter uma opinião sobre o assunto da monogamia.
Dentre todas, a visão mais abordada é a relação da falta de monogamia em casais gays (homens e mulheres gays). Muitos falaram que poligamia é da natureza sexual do homem tanto gay quanto hétero. É supostamente mais difícil ser fiel para homens do que para mulheres, mas estudos biológicos realizados em 2010 apontaram que poligamia não tem nada haver com biologia e sim com cultura e condição social. Isso explicaria a falta de fidelidade também alta em casais lésbicos.
Um escritor americano, Mark Oppenheimer publicou no New York Times em um artigo chamado “Married, with infidelities” que a poligamia seria a salvação do casamento monogâmico tradicional que está em decadência e que a sinceridade e abertura sexual entre um casal seria a chave do sucesso para o casamento deste século. Foi falado também que essa pratica é comum em pelo menos 50% dos casais gays. Dados como esse apareceram sendo discutidos após o governo de Nova York aprovar a união civil entre pessoas de mesmo sexo. A pergunta que se fez foi “Para que os gays queiram tanto se casar se a monogamia não é comum entre eles?” As respostas foram, dentre muitas, que fidelidade emocional é diferente de fidelidade física, sexual. Quando se casa ou namora com alguém a fidelidade que se deveria ao outro seria de amor carinho afeto e afeição claro que o sexo não ficaria de fora dessa mas as possibilidades extraconjugais não seriam um problema por significar nada além de sexo. É basicamente assim: pode transar, mas nada de sentimentos envolvidos. Essa ‘fórmula’ seria utilíssima nos relacionamentos hetero ou homo do futuro segundo o escritor americano. A sinceridade sobre a necessidade de variedade depois de muito tempo com a mesma pessoa seria a forma de casamentos problemáticos por esse assunto darem certo.
No artigo de Oppenheimer ele cita uma pesquisa feita pela universidade de Chicago feita em 2010 revelou que 14% das esposas e 20% dos maridos tinham casos extraconjugais. Sem dúvida é uma minoria que faz barulho, então a solução não seria a poligamia? Ou melhor, a pergunta que sempre faço: Para que entrar em um relacionamento se você não tem intenção e nem gosta de monogamia? Por que, a princípio, a ideia de um namoro ou casamento são duas pessoas (por hora) e se querem mais de uma por que se comprometer?
Como eu não gosto de deixar perguntas sem respostas eu fui atrás disso e consegui coisas do tipo: “Por que eu gosto de me relacionar emocionalmente com uma só pessoa mas gosto de fazer sexo com pessoas diferentes de vez em quando”. Resumindo a resposta: a separação total de sentimentos e sexo. Com a vida moderna exigindo cada vez mais praticidade e rapidez parece que afetamos ate as relações afetivas. Quer dizer, as pessoas gostam de ter um namoro convencional, mas às vezes precisam suprir uma necessidade que então seria carnal, e pratica. Do tipo: estava com vontade fui fiz supri a necessidade e voltei pra minha vida normal,
Dentre todas as opiniões e essa enxurrada de dados técnicos sobre comportamento social eu pergunto: e o amor gente? O século 21 esta exigindo uma repaginada até nos conceitos dele? Aquele amor de ter a mesma pessoa para todo o sempre já era? Minha maior indagação foi respondida com: “Poligâmicos amam”. É claro que amam. Se formos pensar bem eles têm que amar mesmo. Alguma coisa forte tem que existir ali pra fazer com que ele ou ela abdique uma vida de diversidade sexual, encontre um parceiro ou parceira e tenha que enfrentar todos os problemas e repercussões que uma relação não monogâmica pode trazer. Claro, às vezes nos deparamos com aquele tipo de pessoa que não leva nada a sério, nem o relacionamento e acaba mentindo e traindo a namorada ou namorado com outros e outras sem abrir o jogo
O consenso geral é que a poligamia é a expressão da separação entre sexo e outros sentimentos mais profundos. Em outras palavras: a banalização do sexo como necessidade física.
Dentre os poligâmicos tem um tipo não tão moderninho: os adeptos do sexo a três. Muitos casais hoje em dia utilizam dessa prática para quebrar a monotonia sexual que anos de relacionamento pode trazer e sem quebrar a barreira da fidelidade. Geralmente o casal “convida” alguém o qual os dois se sentem atraídos sexualmente e normalmente esse alguém é um desconhecido para que problemas com afeto sejam descartados. O interessante da pratica do Ménage a trois (nome oficial da prática por aqui, em inglês se fala threesome) é que ela parece ser bem familiar aos casais héteros. Eu não me atreveria a dizer que é tão comum quanto entre os gays, mas como duas mulheres juntas é fantasia de muitos héteros por aí, o ménage é uma pratica não tão remota assim para os casais héteros.
Eu acho que a monogamia é um conceito que aos poucos está sendo deixado pra trás. Seja por mudanças sociais ou necessidade de quebra de tabus. Principalmente entre os gays, eu temo que em alguns anos as relações monogâmicas sejam minoria. E quem sabe a teoria da seleção natural de Darwin se faça presente de novo e os monogâmicos vão sendo eliminados aos poucos por falta de parceiros que compartilhem a mesma ideia e a poligamia seja o status quo das relações gays do futuro.
@Ntnn






